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Indústria 4.0: o que o Brasil pode começar a fazer hoje para acompanhar essa revolução?

08/11/2016

Olhando para o cenário da indústria atual, percebemos claramente o quanto as três revoluções industriais impactaram na maneira como se produz hoje.

Mais impressionante ainda é saber que há um novo grande movimento acontecendo que vai desafiar e muito a nossa capacidade de aceitar uma mudança.

Isso mesmo, eu estou falando da Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0.

Nesse artigo você vai ler:

  • O que significa indústria 4.0
  • Dados estatísticos e projeções para o futuro
  • O que o Brasil precisa fazer hoje para chegar lá
  • Cases de sucesso no Brasil
  • Como se abrir ao novo

Curioso? Então chega de conversa e vamos ao que interessa.

Indústria 4.0: O que é?

Para entendermos esse universo e o que significa o termo, vamos recapitular os avanços trazidos até então.

Como você pode ver na linha do tempo abaixo, a primeira revolução industrial, ocorrida no século 17 e uma parte do 18, nos trouxe as máquinas a vapor e fez a transição de uma produção manual para uma automatizada.

Já a segunda revolução industrial, datada de 1850, trouxe a manufatura em massa e a eletricidade.

A terceira reviravolta veio trazendo a eletrônica, a tecnologia da informação e as telecomunicações. Elementos esses que junto a evoluções no mundo digital criaram o ambiente ideal para a próxima grande revolução pela qual já podemos vivenciar.

Linha do tempo indústria 4.0

Fonte da imagem: Portal da Indústria

Isso posto, podemos dizer que a indústria 4.0 permite uma manufatura mais autônoma e integrada. Ela elimina a centralização de controle e planejamento. Promove-se assim a intercomunicação de produtos, insumos e máquinas.

O termo foi discutido pela primeira vez durante a feira de Hannover, na Alemanha, quando estudiosos e profissionais locais dialogavam sobre o futuro de sua produção industrial.

Sendo assim, os grandes propulsores desse movimento da digitalização das máquinas são a tecnologia e a Internet das Coisas. Esses dois elementos permitirão que pessoas e máquinas trabalhem juntas, formando um espaço Ciber Físico.

Curiosamente, essa é a primeira revolução industrial que já foi anunciada antes mesmo de ocorrer. Em comparação com as anteriores, que só foram comunicadas quando já tinham acontecido, essa é uma grande diferenciação.

De acordo com os próprios Alemães, “padrinhos da ideia”, existem 4 pilares básicos que sustentam essa revolução:

  1. Computação em nuvem (sistema Cloud)
  2. Big Data
  3. Mobilidade
  4. Segurança e Internet das Coisas (a grande mola propulsora)

Teríamos assim um processo otimizado e customizado desde o abastecimento até a entrega ao cliente. É o famoso e almejado estado da arte da Indústria.

Estatísticas e previsões

industria4-02

Numa visão otimista, o governo da Alemanha diz que:

  • Até 2020, haverá um investimento em tecnologia de 40 Bilhões de Euros por ano.
  • Em 2021, mais de 80% das companhias Alemães terão sua cadeia de valor completamente digitalizada
  • A eficiência operacional crescerá 18 pontos percentuais.
  • Haverá uma redução de custo em 13%
  • Para 2025, espera-se um potencial de crescimento de 425 Bilhões de Euros

De forma geral, indo além das fronteiras alemãs, o futuro da produção trará benefícios fabulosos como:

  • Redução de custo de produção e estocagem de matéria prima
  • Variedade maior de produtos disponíveis
  • Produção mais ágil
  • Logística inteligente e flexível

E se você pensa que isso apenas se aplicará na manufatura está muito enganado.

Durante o Fórum Mundial de Davos, ocorrido em janeiro desse ano, Klaus Schwab afirmou que essa será uma revolução dos modelos socio-econômicos e demográficos atuais.

Portanto, todos os setores da economia mundial serão afetados, salvando as proporções e realidade de cada País é claro.

Em redes de notícia do mundo todo, assim como na web, lemos a todo o momento matérias sobre o desenvolvimento de robôs e da tecnologia, hoje capaz de fazer coisas incríveis.

Especialistas já falam na extinção completa de algumas profissões num período de 10 a 15 anos.

Funções mais operacionais, que requerem um esforço repetitivo como operador de telemarketing, carteiros, corretores de seguro, datilógrafos, ascensoristas, entre outras, estão com seus dias contados. Isso prova então sua validade para outros nichos de mercado.

Segundo matéria da BBC Brasil, os desdobramentos disso afetarão nossa segurança geopolítica e aquilo que consideramos ética. Nossos relacionamentos e maneira de ser também serão impactados.

Olhando para todo esse cenário positivo, nos fica uma valiosa pergunta…

Como anda o Brasil nessa história?

Olhando para nossa realidade atual, o primeiro ponto a ressaltar é o alto investimento necessário para viabilizar a digitalização das máquinas.

Em tempos de crise econômica será que temos condições de implantar a manufatura digital?

Vendo modelos de países desenvolvidos como a Alemanha, por exemplo, e sabendo que aquela tecnologia custa bem caro, nós reconhecemos a nossa dificuldade de chegar lá.

E não é só isso. De acordo com o último estudo publicado pelo Barômetro Global de Inovação , divulgado em forma de Infográfico pela revista Época Negócios, a distribuição regional é desigual.

Por outro lado, Schwab diz que a Revolução Industrial 4.0 pode elevar o nível global de rendimentos e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras. Isso reforça que as mudanças serão mais positivas do que negativas.

Assim como ele, outros estudiosos e profissionais afirmam que o Brasil não pode deixar que apenas o fator custo nos bloqueie no caminho da evolução rumo a uma nova indústria.

Isso vai exatamente de encontro ao princípio Kaizen de melhoria contínua, significando que temos outros caminhos para chegar lá.

Um grande exemplo é a própria tecnologia da informação e seu nível de automação que já temos em nossas mãos.

O futuro começa agora

Um outro fator que precisamos mudar para chegar lá e que podemos começar a fazer desde já é capacitar gestores, técnicos em sistemas, analistas de dados e todo e qualquer profissional de áreas afins.

Nesse contexto e talvez mais importante ainda, precisamos de lideranças presentes e engajadas na indústria, alinhando processos, indicadores de resultados e metas alcançáveis.

E isso só vamos alcançar fazendo com que as estratégias antes concentradas no topo da organização desçam até o chão de fábrica, possibilitando que todos trabalhem em busca do mesmo objetivo.

A palavra de ordem aqui é execução com disciplina e métodos adequados que consequentemente levarão aos resultados esperados.

Segundo dados levantados pelo ITERIS em estudo com 180 empresas, 71% das pessoas afirma que tem dificuldade de implementar sistemas simples ou um fluxo de trabalho. Isso acaba por negligenciar a automação de processos.

Obviamente, não são apenas as pessoas que precisam mudar para a digitalização da manufatura. Temos uma ausência de políticas de incentivo por parte do governo.

Aqui eu falo não apenas do investimento financeiro, mas também do aporte em conhecimento. Fatores que junto a liderança e capacitação interna das empresas, como mencionado anteriormente, também precisam caminhar. Mas esse já é assunto para um outro momento…

Cases de Sucesso

Agora, vamos conhecer um pouquinho do que nossas empresas já estão fazendo rumo à produção avançada: a indústria 4.0.

E para fazer isso, ao invés de escrever, vou te mostrar na prática cases de sucesso que provam como tudo isso é possível.

Hexagon

Nesse vídeo, a empresa demonstra como funciona uma célula automatizada por meio do Big data e Internet das Coisas. Um verdadeiro workshop de manufatura avançada.

Ford

Um ótimo case do setor automotivo, o primeiro a adotar a indústria 4.0 no país, dando um passeio pela fábrica de motores 1.0 em Camaçari, na Bahia. Note como há dois anos atrás eles já trabalhavam com um sistema completamente moderno de manufatura.

FEIMEC

Nesse último exemplo, uma demonstração geral de como o conceito funciona em fábricas do setor alimentício e automotivo nesse vídeo da feira da FEIMEC ocorrida em Maio de 2016.

Inovação

Diante de todo esse ambiente inovador que nos rodeia, fica claro que de fato temos um longo caminho até esse estado da arte chamado indústria 4.0.

Porém, não podemos nos esquecer de estar abertos à mudança. Mais do que isso, eu diria abertos a transformação. E isso não vem de uma hora para outra.

Não podemos ficar de braços cruzados e esperar que as situações favoráveis aconteçam.

É preciso entender que sem estratificar sua estratégia, ou seja, sem fazer com que todos dentro da estrutura organizacional estejam  envolvidos verdadeiramente em uma causa, nada será possível.

É como diz a célebre e conhecida frase: “Nada muda se você não mudar”. Ou ainda o provérbio Chinês que diz “Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu”.

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